Como Preparar Sua Empresa Para os Novos Impostos de 2026
Os novos impostos de 2026 já estão em vigor. A CBS e o IBS aparecem nas notas fiscais desde o primeiro dia do ano, e muitos empresários ainda estão correndo para entender o que fazer. Se você é um deles, respire fundo: este é o guia prático que vai te mostrar exatamente como preparar sua empresa para essa transição — passo a passo, sem complicação.
A boa notícia? 2026 é um ano de testes. A má notícia? Quem não se preparar agora vai sofrer em 2027, quando as alíquotas cheias entrarem em vigor.
Por Que Sua Empresa Precisa se Preparar Agora
Talvez você esteja pensando: “Se é um ano de testes, posso deixar para depois.” Esse é o maior erro que você pode cometer.
A reforma tributária brasileira substitui cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por apenas dois: CBS e IBS. É a maior mudança fiscal das últimas décadas. E empresas que usarem 2026 para testar e ajustar terão vantagem competitiva brutal quando o sistema definitivo entrar.
Dado importante: Segundo a Receita Federal, mais de 60% das empresas brasileiras ainda não atualizaram seus sistemas para emitir notas com os novos campos tributários.
O Que Acontece se Você Não se Preparar
- Notas fiscais rejeitadas a partir do segundo semestre
- Impossibilidade de vender para empresas que exigem conformidade
- Perda de créditos tributários por classificação incorreta
- Fluxo de caixa comprometido com o Split Payment em 2027
- Multas e penalidades quando o período de tolerância acabar
7 Passos Para Adequar Sua Empresa aos Novos Impostos
Vamos ao que interessa: ações concretas que você precisa tomar para passar por essa transição sem dor de cabeça.
Passo 1: Atualize Seu Sistema de Emissão de Notas
Este é o passo mais urgente. A partir de janeiro de 2026, todos os documentos fiscais eletrônicos precisam ter campos específicos para CBS e IBS.
O que verificar:
- Seu ERP está na versão mais recente?
- O sistema emite NF-e, NFC-e e NFS-e com os novos campos?
- Os valores de CBS (0,9%) e IBS (0,1%) estão sendo calculados corretamente?
Ação imediata: Entre em contato com seu fornecedor de software e confirme se a atualização foi aplicada. Se você usa sistemas próprios, sua equipe de TI precisa implementar as notas técnicas da Receita Federal.
Atenção: Notas emitidas sem os campos de CBS e IBS serão consideradas incorretas. Embora as multas estejam suspensas até o quarto mês após a publicação dos regulamentos, o problema é operacional — clientes podem recusar notas incompletas.
Passo 2: Revise Seu Cadastro de Produtos e Serviços
A classificação fiscal dos seus produtos e serviços determina como os novos tributos incidem sobre cada operação. Uma classificação errada significa créditos perdidos ou tributos pagos a mais.
Checklist de revisão:
- Todos os produtos têm NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) correta?
- Serviços estão com código LC 116 atualizado?
- Há produtos com tratamento diferenciado (alíquota zero, reduzida ou isenta)?
- O cadastro está integrado entre vendas, estoque e fiscal?
Por que isso importa: O novo sistema permite crédito integral de tributos pagos nas etapas anteriores. Se sua classificação estiver errada, você paga imposto que não deveria — ou deixa de recuperar créditos legítimos.
Passo 3: Mapeie Suas Operações com Tratamento Especial
Nem todas as operações seguem a regra geral. A reforma tributária prevê regimes diferenciados para vários setores e tipos de transação.
Operações que exigem atenção especial:
| Tipo de Operação | Tratamento |
|---|---|
| Produtos da cesta básica | Alíquota zero ou reduzida |
| Medicamentos | Alíquotas diferenciadas |
| Zona Franca de Manaus | Regime especial mantido |
| Exportações | Não incidência |
| Simples Nacional | Regras próprias a partir de 2027 |
| Combustíveis | Tributação monofásica |
Ação recomendada: Faça uma lista de todas as operações da sua empresa e identifique quais se enquadram em regimes especiais. Consulte seu contador para confirmar o tratamento correto.
Passo 4: Prepare Seu Fluxo de Caixa Para o Split Payment
O Split Payment é uma das mudanças mais impactantes — e muita gente ainda não entendeu suas consequências.
Como funciona: Quando seu cliente paga com cartão, Pix ou transferência bancária, o valor do tributo é automaticamente separado e enviado ao fisco. O dinheiro do imposto não passa mais pela sua conta.
Impacto real:
Imagine uma venda de R$ 10.000 com alíquota de 26,5% (projeção para 2027). Hoje, você recebe os R$ 10.000 e recolhe o imposto depois. Com Split Payment, você recebe R$ 7.350 — o resto vai direto para o governo.
Isso muda completamente a gestão de capital de giro. Empresas que usam o “float” tributário para financiar operações precisam encontrar alternativas.
Como se preparar:
- Simule seu fluxo de caixa retirando o valor equivalente aos tributos
- Identifique necessidades de capital de giro adicional
- Negocie prazos com fornecedores
- Avalie linhas de crédito preventivamente
Passo 5: Treine Sua Equipe Fiscal e Contábil
Não adianta ter sistema atualizado se a equipe não sabe usar. A reforma muda a lógica tributária brasileira, e profissionais precisam de capacitação.
Tópicos essenciais de treinamento:
- Diferenças entre CBS (federal) e IBS (estadual/municipal)
- Regras de não cumulatividade e apropriação de créditos
- Classificação fiscal de produtos e serviços
- Operações com tratamento diferenciado
- Obrigações acessórias do novo sistema
Dica prática: Muitos sindicatos patronais e entidades de classe estão oferecendo cursos gratuitos sobre a reforma. Aproveite esses recursos.
Passo 6: Integre Suas Áreas de Negócio
A reforma tributária não é problema só do departamento fiscal. Vendas, compras, financeiro, TI e jurídico precisam estar alinhados.
Por que a integração é crucial:
- Vendas precisa entender como a transparência tributária afeta precificação e argumentos comerciais
- Compras deve garantir que fornecedores emitam notas corretas para aproveitamento de créditos
- Financeiro precisa replanejar fluxo de caixa considerando Split Payment
- TI é responsável por manter sistemas atualizados e integrados
- Jurídico deve revisar contratos que mencionam tributos específicos
Ação recomendada: Crie um grupo de trabalho multidisciplinar para acompanhar a implementação. Reuniões quinzenais são suficientes nesta fase.
Passo 7: Acompanhe as Atualizações Oficiais
A regulamentação da reforma ainda está sendo detalhada. Novas regras, prazos e orientações são publicados frequentemente.
Fontes oficiais para monitorar:
- Portal da Receita Federal — seção Reforma Tributária
- Comitê Gestor do IBS — normas e regulamentos
- SEFAZ do seu estado — orientações locais
- CRC e entidades contábeis — interpretações técnicas
Dica: Configure alertas do Google para “reforma tributária 2026” e “CBS IBS regulamentação”. Assim você recebe novidades automaticamente.
Calendário de Ações: Quando Fazer o Quê
Para facilitar seu planejamento, organizamos as ações por período:
Janeiro a Março de 2026
- Atualizar sistemas ERP e PDV
- Emitir primeiras notas com campos CBS/IBS
- Identificar e corrigir erros de classificação fiscal
- Reunir equipes para alinhamento inicial
Abril a Junho de 2026
- Testar emissão de documentos em volume
- Simular impactos no fluxo de caixa
- Capacitar equipes fiscais e contábeis
- Revisar contratos com cláusulas tributárias
Julho a Setembro de 2026
- Integrar sistemas com plataformas de Split Payment (quando disponíveis)
- Avaliar necessidades de capital de giro para 2027
- Acompanhar definição de alíquotas finais
- Planejar ajustes de precificação
Outubro a Dezembro de 2026
- Preparação final para entrada em vigor das alíquotas cheias
- Treinamento de reforço para equipes
- Testes finais de sistemas e processos
- Comunicação com clientes e fornecedores sobre mudanças
Erros Comuns Que Você Deve Evitar
Ao longo de conversas com empresários e contadores, identificamos os equívocos mais frequentes nessa transição.
Erro 1: Achar Que o Simples Nacional Está Fora
Empresas do Simples Nacional estão dispensadas das obrigações da fase piloto em 2026 — mas isso não significa que estão fora da reforma. A partir de 2027, optantes do Simples também destacarão CBS e IBS nas notas.
Além disso, até setembro de 2026, empresas do Simples precisam decidir se continuam no regime favorecido ou migram para o sistema geral. Essa decisão exige análise criteriosa.
Erro 2: Ignorar os Créditos Tributários
O novo sistema permite crédito integral dos tributos pagos nas etapas anteriores. Isso é uma vantagem enorme — se você souber aproveitar.
Empresas que não controlam corretamente as notas de entrada, não verificam a classificação fiscal dos fornecedores ou não integram sistemas de compras e fiscal estão deixando dinheiro na mesa.
Erro 3: Não Revisar Contratos
Contratos de prestação de serviços, fornecimento e locação frequentemente mencionam tributos específicos como ICMS, ISS ou PIS/COFINS. Com a extinção desses impostos, cláusulas podem ficar obsoletas ou gerar disputas.
Revise todos os contratos vigentes e inclua cláusulas de adaptação tributária em novos acordos.
Erro 4: Deixar a TI de Fora
Muitos empresários tratam a reforma como assunto exclusivo do departamento contábil. Grande erro. A implementação depende fundamentalmente de sistemas — ERP, PDV, e-commerce, integradores fiscais.
A área de TI precisa estar envolvida desde o início, com tempo e recursos para implementar as mudanças necessárias.
O Que Esperar de 2027 em Diante
Depois do ano de testes, a reforma entra para valer. Veja o cronograma resumido:
| Ano | Mudança Principal |
|---|---|
| 2027 | CBS com alíquota cheia (~8,8%); PIS e COFINS extintos |
| 2029 | Início da transição ICMS/ISS para IBS |
| 2032 | Fim da transição; ICMS e ISS praticamente extintos |
| 2033 | Sistema definitivo em pleno funcionamento |
Ou seja, você tem 2026 para testar e 2027 para se estabelecer. A partir de 2029, a pressão aumenta com a extinção gradual de ICMS e ISS.
Conclusão: Transforme a Obrigação em Oportunidade
Preparar sua empresa para os novos impostos de 2026 não é apenas uma obrigação legal — é uma oportunidade estratégica. Quem dominar o novo sistema primeiro terá vantagens competitivas: precificação mais precisa, créditos tributários otimizados e processos mais eficientes.
Use este ano de testes a seu favor. Atualize sistemas, capacite equipes, mapeie operações e acompanhe as regulamentações. O esforço de agora vai poupar muito problema quando as alíquotas cheias entrarem em vigor.
A reforma tributária é inevitável. A forma como sua empresa vai atravessá-la depende das decisões que você tomar hoje.
Precisa de ajuda para adequar sua empresa? Entre em contato com nossa equipe especializada em gestão empresarial e compliance fiscal. Estamos prontos para guiar seu negócio nessa transição.